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Empresa contratada por R$ 74 milhões pelo Governo do Estado funciona em uma casa abandonada


Uma empresa sem estrutura que declarou o capital social no valor de R$ 79 mil, de apenas um sócio proprietário, e que funciona em uma casa aparentemente abandonada com paredes pinchadas, foi contratada pelo governo do Estado do Pará para fornecer 535.700 cestas de alimentos para escolas da rede pública.

O contrato com o governo do Estado é nada menos que R$ 74 milhões, o que levaria pelo menos, 15 anos para essa empresa faturar esse valor em pleno movimento das atividades.

A empresa Kaizem Comércio e Distribuição de Produtos Alimentícios pertence a Edson Araújo Rodrigues, único sócio, e portanto é uma EIRELI - EIRELI – com sede em Ananindeua, chegou a montar as cestas que foi objeto de mídia do Governo do Estado, mas por pressão popular o governo cancelou o contrato na terça-feira, 31. Não se sabe ao certo quantas cestas foram montadas, mas segundo informações do site oficial do Governo, era 10 mil cestas por dia, iniciando na sexta-feira, 27.

O governador do estado se baseou em Situação de Calamidade Pública declarada para adquirir bens e serviços com dispensa de licitação, e ‘encontrou’ na Kaizem Comércio e Distribuição de Produtos Alimentícios como empresa ideal para fornecer gêneros alimentícios para as cestas básicas do Governo, ignorando ser uma empresa varejista, que para tamanha compra precisaria ser um atacadista ou diversas empresas do ramo.


O empresário Edson Araújo Rodrigues, divulgou nota na terça-feira (31) na qual afirma não ser mais o dono da tal empresa. Paradoxalmente, já que quer se livrar da má repercussão, não revela a quem vendeu, e atribui a permanência do seu nome nos registros oficiais à burocracia, apesar da Junta Comercial do Estado do Pará – Jucepa, tem sido premiada nos últimos anos justamente pela agilidade nessas alterações contratuais: dois dias para constituição de empresa e, nos casos mais complexos, de transformação, incorporação, fusão, cisão, consórcio e grupo, cinco dias no máximo. O empresário afirma ainda na nota ter vencido licitação que na verdade não houve. A dispensa de licitação foi autorizada e ratificada na mesma data, 26.03.2020. No dia seguinte, o governador foi vistoriar e entregar oficialmente, ao lado da secretária de Estado de Educação, Elieth Braga, a primeira leva, já com os produtos estocados em um centro de distribuição.

Solicitado esclarecimento junto a Secretaria de Estado de Comunicação, informou a reportagem da Tribuna da Calha Norte, que "A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informa que a compra de cestas de alimentos com apenas um atacadista do Estado foi cancelada. O Governador determinou que as cestas contemplem todos os grandes atacadistas que têm estoque e condições logísticas para atender a demanda. O objetivo é descentralizar investimentos e fazer circular mais recursos para mais empresas".

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