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Muirapinima e Mundurukus são donas do espetáculo no Tribódromo


Festival das Tribos Indígenas de Juruti – Festribal, é uma festa cultural realizada sempre no último fim de semana do mês de julho ou início de agosto na cidade de Juruti, Oeste do Pará. Resgata em forma de espetáculo a cultura indígena nativa da Amazônia. É a maior manifestação Cultural do Pará e uma das maiores manifestações culturais da Amazônia.

O palco das apresentações é o Tribódromo, arena onde as tribos se apresentam. No Tribódromo as tribos Muirapinima (vermelho e azul) e Mundurukus (vermelho e amarelo) se enfrentam pela conquista de mais um título. A festa retrata a cultura indígena em forma de música, artes cênicas, alegorias e danças. O modo de vida do caboclo, os rituais indígenas, o pescador e o farinheiro são algumas das inspirações do festival.

O Festival, quando surgiu em 1986, não era das tribos, mas de grupos folclóricos, da cidade e do interior, que representavam a cultura local. Durante o mês de julho a cidade parava para prestigiar a magia das apresentações.

Em 1990 nasceu um grupo de dança coordenado por Ana Márcia Cunha, chamado “Ou Vai Ou Racha”, com 200 brincantes. Esse grupo veio com uma proposta diferente, utilizando ritmos mais dançantes, como o carimbó, o siriá, o boi-bumbá, a dança árabe, entre outros, que mexeram com uma cidade e fez do Festival Folclórico de Juruti, como era chamado, o princípio de uma era tribal.

O grupo folclórico “Ou Vai Ou Racha” foi imbatível durante três anos. Nas disputas era sempre o vencedor. E em 1993, para enfrentar o grupo campeão, surge a dança indígena com a Tribo Mundurukus, levando ao público a cultura tradicional dos primeiros habitantes de Juruti: os Mundurukus. E como forma de homenageá-los, dona Carmem Barroso e seu Aldecías Batista criam a que hoje é chamada de “tribo verdadeira”.


Dois anos mais tarde, também como forma de homenagear tribos que habitaram a Vila de Juruti Velho, a professora Aurecília Andrade, por meio de uma disciplina de Redação e Expressão, apresenta ao povo de Juruti, no dia 17 de junho, a Tribo Muirapinima, com o tema “Tradição e Cultura”, a tribo que hoje é considerada a “tribo do povão”. E no mesmo ano, no mês de julho, teve inicio a primeira batalha entre as duas tribos, dando o primeiro título a Tribo Mundurukus, cujo tema foi “Jará, um lago, minha inspiração”.

De 1996 a 1999, as tribos e alguns grupos folclóricos, incluindo “Ou Vai Ou Racha”, apresentaram-se no Centro Cultural e Desportivo Hudson Rebêlo, onde hoje é o Universo Mundurukus. A partir do ano 2000, os espetáculos passaram a ser realizados no Tribódromo e de lá pra cá a Arena tem ficado cada vez menor, com a dimensão que o Festival tomou, principalmente com o importante patrocínio da Prefeitura de Juruti.

Em 2005, por haver somente as apresentações das tribos Muirapinima e Mundurukus, o Festival Folclórico passa a ser chamado de Festival das Tribos Indígenas de Juruti. Foi nesse mesmo ano que a Prefeitura assumiu a responsabilidade de patrocinar os CDs das duas tribos e com isso alavancar o Festival que se tornou Patrimônio Cultural do Estado do Pará no dia 19 de março de 2008.


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